A flor que antes parecia triste, escondida entre as folhas secas, agora sorri alegremente para o novo dia. E todas as outras parecem se alegrar com ela. Elas sorriem também. E o jardineiro contente, em ver aquele jardim tão colorido e perfumado, sorri também levando a chuvinha matinal que todas esperam. É que talvez nem ele e nem as outras florzinhas saibam, mas a flor, aquela, que antes era triste, descobriu que para ser jardim é preciso antes ser flor, que para se ser feliz é preciso sorrir e que para se ter vida é preciso viver. E desde então, tudo é cor, vida e perfume...
16 de outubro de 2011
28 de agosto de 2011
Para além das superfícies
Por quanto tempo mais andarás a procura de um amor nessas vitrines da vida? Assim, como se este tivesse uma cor, um peso ideal, uma altura adequada, um manual de instrução. Quanto tempo ainda levarás para aceitar que nem sempre a pessoa que te diz o que esperas ouvir, que repete mais de dez vezes por dia que te ama é realmente a que mais te ama? Aceitar que muitas vezes o amor silencia por não caber nas tão insuficientes palavras. Que ele fala mais alto quando nada fala. E que grita no calor do abraço apertado e do afago que se desperta em um simples olhar. E o mais importante, entender que ele pode vir de onde você menos espera, em um dia qualquer e de um jeito que você jamais imaginou. O amor tem isso de nos surpreender, de escancarar portas quando esperávamos apenas janelas abertas, por ir além do que nossa pequenez pode alcançar.
Nem sempre o amor chega em um dia de sol, quando você está com a sua melhor roupa, seu melhor sapato e esperando que ele chegue. Ele pode vir em uma tarde de chuva, depois de um longo dia de trabalho enquanto corres para pegar um taxi ou esperas a chuva passar em um ponto qualquer. E aí você descobre que não importa a cor, a altura, a idade ou o peso, porque o amor vai além de tudo isso. Você descobre que mesmo com todas as diferenças que possa existir entre você e o outro, o amor os torna em um só e que não há manual de instrução ou de comportamento para se entender e se prender o amor. A amor não se busca, não se prende, simplesmente acontece, sem dia, lugar nem hora marcada.
Não procures um amor. Deixe que ele te encontre. E ele te encontra. Não faça do amor algo previsível, que se encontra em uma loja qualquer com um tamanho e uma cor exata. Permita-se aceitá-lo como ele é, com todos os aparentes defeitos e qualidades sem deixar que nada disso seja maior que a verdadeira beleza que há no verdadeiro amor. Verdadeiro por calar, por ir além das superfícies, por se permitir navegar na grandeza interior que há em cada um de nós, por ir além de um simples “eu te amo”. E que ames, cada vez mais...
9 de julho de 2011
Afeto interespecífico
Há quem tema um cachorro que vive preso em grades
ou sufocado por uma coleira...
Eu não, meu Deus!
Eu temo esse ser manso, que anda livre e nos sufoca
com o peso da maldade.
Joyce Kelly
ou sufocado por uma coleira...
Eu não, meu Deus!
Eu temo esse ser manso, que anda livre e nos sufoca
com o peso da maldade.
Joyce Kelly
6 de junho de 2011
Live, Love, Laugh...
É preciso encher-se de amor
Até transbordar em sorrisos
Por todos os lados...
É preciso abraçar, não uma nem duas vezes
Mas o quanto for preciso e sempre mais...
É preciso caminhar mais vezes, com passos leves, vento nos cabelos e olhar de paz
De mãos dadas, quem sabe...
É preciso também deixar que a chuva molhe teus cabelos, encharque tuas roupas
E que isso te faça sorrir
Que você não tenha medo de ser bobo vez em quando
Que o cinza dos dias não tire seu colorido mais bonito.
É preciso ainda que você acredite: em você, em alguém
Que a maldade do mundo não te tire o desejo de paz
Que os dias de chuva não escondam o teu calor mais intenso
E que este calor aqueça a quem sente frio.
É preciso apreciar os verdadeiros tesouros da vida
É preciso Viver...Joyce Kelly
2 de abril de 2011
Flowers...
Por vezes presenteei pessoas com flores. Das mais variadas. Para cada pessoa escolhia uma flor em especial. Tinha o cuidado de descobrir as preferências quanto a cheiro, cor que agradava àquele ser a qual eu me dispunha a presentear. Bom, confesso que nem sempre fui feliz em minhas escolhas. É que às vezes eu me precipitava um pouco e esquecia de perguntar se a pessoa gostava de flores. Algumas não gostam. É. Eu não sabia. Então aquela flor a qual eu passei horas ou dias escolhendo, selecionando as com os melhores perfumes, com as cores mais vivas, com a mais singular beleza ficava em um canto da casa, no máximo colocada em um vaso com um pouco d’água. Esquecida. Pouco a pouco, por falta de cuidado, elas morriam. Sim, sei, não queria que elas durassem para sempre. Entendo que elas morreriam um dia. Não queria também que as pessoas as quais eu presenteei sacrificassem o olfato, a visão e o tempo para cuidá-las. Sim, para alguns isso seria torturante: cuidar de algo que não lhes agrada. Queria apenas não querer. Não querer agradar tanto, me doar sem limites. Queria ter limites. Mas não tenho. Não consigo amar pouco, me doar pela metade, não sei ser metade. Não gosto de metades. E por isso ainda continuo com a minha mania incontrolável de colorir e perfumar o espaço de alguém com flores, por mais que elas fiquei lá, em algum canto, até murcharem e morrerem. Mas quem sabe um dia por algum motivo alguém goste de recebê-las, que queira cuidar delas e que sinta o prazer em tê-las em um espaço especial da casa com o mesmo carinho e afeição que as escolhi: as pessoas, as flores.
12 de março de 2011
Amor inefável
Tenho sentido, cá, no silêncio dos meus dias, a presença grandiosa de Deus. Os seus cuidados, sua delicadeza presentes nas pequenas coisas que tem acontecido em minha vida. Falo pequenas por cuidado, mas as sinto tão grandes... Como é bom ser surpreendido pelo afago de Deus quando menos esperamos. Como é bom saber que Ele não nos esquece, que nos aceita como somos e que nos ajuda a ser ainda melhores.
Estou, enfim, redescobrindo o sentido da palavra Amor. Sim, acho que o tinha esquecido. Quem sabe deixei que outro sentimento ocupasse o seu lugar. Mas o encontrei, mais uma vez. E mais que isso, compreendi, enfim, que quem verdadeiramente me ama talvez nunca fale, talvez não consiga expressar-se por meio de palavras, mas que de alguma forma faz-me sentir que sou amada e isso palavra nenhuma é capaz de descrever. Apenas sentimos e isso é tudo.
20 de fevereiro de 2011
Dos desejos
Silêncio para os que não sabem calar
Palavras para os que não sabem falar
Alegria nos dias tristes
Na tempestade, calmaria
Na ausência, o calor do abraço
E nas páginas em branco...
Motivo de poesia.
Joyce Kelly
12 de fevereiro de 2011
Permita-se
Não vedes que as coisas precisam sofrer certa metamorfose, seguir novos caminhos, alçar novos voos? Não compreendes que as pessoas mudam, que precisam mudar para adequar-se a essas coisas? Não entendes que há coisas que você nunca vai entender? Ainda preferes lamentar a morte da lagarta a ver a beleza da borboleta?
Olhe-se fora de si. O que tens feito? Como tens feito? Às vezes precisamos fazer isso, nos olharmos com outros olhos, como se fôssemos desconhecidos de nós mesmos. E somos. Sinceramente, não sei quem sou, e no fundo, você também não sabe quem é. Você não se permite saber. Você espera que o outro te fale. Você não precisa do outro para ser feliz. Você precisa ser feliz para ter o outro.
Vai, abraça as mudanças, olhe-a com outros olhos, olhe-se com outros olhos. E no fim você descobrirá que o que realmente vale a pena é o que faz você sentir...
Que VOCÊ vale a pena.
“Vou olhar os caminhos, o que tiver mais coração, eu sigo.” (Caio F.)
5 de fevereiro de 2011
Pessoas es-pe-ci-ais...
Há pessoas que são como o sol, aquele, do início da manhã, que temos o prazer em esperar, que nos aquece e ilumina o nosso dia. Há pessoas que são como passarinho que canta livre na manhã calma de uma casa simples, que temos o prazer em ouvi-lo, sentir a melodia singela que ecoa por todos os lados. Há ainda aquelas que são como flor que desabrocha, exalando perfume, atraindo beija-flores, que nos atrai e nos encanta. Há pessoas que de tão especiais nos faz sentir-se também especial. Ela nos faz senti-las próximas mesmo quando não estão. Carinhos da alma, guardados na memória, sentidos no coração. Há pessoas que mesmo quando cala, parece nos recitar poesias, apenas com o olhar. Que com um simples abraço nos faz sentir-se protegidos de todos os perigos do mundo. Há pessoas que só de sabermos que elas existem já sentimos aquele gosto bom de vitória e de seguir em frente porque sabemos que elas estarão lá, na primeira cadeira, nos aplaudindo em pé. E que mesmo que nossa vitória tarde um pouco elas também estarão lá se não em pessoa, mas em coração. Pessoas que nos faz ver que viver vale a pena mesmo quando a própria vida tenta nos mostrar o contrário. Que nos faz sentir que o amor existe e que quando uma pessoa realmente existe na outra, quando ela nos faz bem, quando nos ama, tudo tem outra cor, outro brilho, tudo faz mais sentido. Que bom que essas pessoas existem. Que bom que você existe.
28 de janeiro de 2011
Let me go...
É que cansei das palavras vãs,
Das promessas que nunca se cumprem
Dos desejos que são só desejos.
Cansei dos braços que nunca foram abraços
De gostar do que nunca existiu
De esperar o que sei que não chegará.
Cansei de buscar poesia para essa vida tão prosaica
De esperar sorrisos, doçuras, afagos
Cansei de esperar...
Deixe-me ir
Ser o que nunca fui
Viver o que nunca vivi.
E quem sabe assim
Eu não seja o que quero
Mas o que preciso ser.
Joyce Kelly
31 de dezembro de 2010
Welcome 2011!
Ele está chegando... Assim, de mansinho, silencioso, misterioso. Como tudo o que é novo, que se desconhece, que apenas se imagina como deve ser. E nós o esperamos, tão esperançosos, tão cheios de planos, sonhos, sorrisos sem muitos motivos. Desejos incontidos. Não sabemos ainda quais as suas cores, os seus cheiros, seus sabores. E mesmo assim o vemos tão colorido, tão perfumado, tão doce... Porque é assim que o queremos. E esperamos que assim ele seja. Um ano novo multicor, com cheiro se flor que desabrocha, com brilho de sol quando nasce, com magia de criança que ri. Simples assim. Como tudo o que é simples, mas que guarda um tesouro em si.
Feliz Ano Novo!
15 de dezembro de 2010
Deve haver...
Deve haver em algum lugar um pôr do sol diferente de tantos outros que costumamos apreciar ao fim da tarde. Um mar com ondas clarinhas esperando que banhemos os nossos pés. Ou quem sabe uma árvore a nos reservar a sua sombra, os seus frutos... Deve haver. Deve haver uma grama verdinha às margens de algum lago, uma ponte ou um barco. E flores, dos mais variados perfumes. Ou talvez cachoeiras para que nos banhemos em suas águas. Deve haver, e sei que há, muito a nos esperar. E quanto a mim, digo que pretendo encontrá-las. E sei também que de alguma forma as encontrarei, afinal elas não estão lá por acaso. Claro que não!
28 de novembro de 2010
Dias (des)iguais
Os dias passam lentamente... quase parando. A melodia torna-se fastidiosa, o som da voz irritante, o silencio ensurdecedor. A beleza parece se desfazer a cada novo olhar; torna-se cansativa junto com os dias. Fechar os olhos parece abrir-se para um universo desorganizado dentro de nós. Universo que com a lentidão dos dias foi-se acumulando, sobrepondo sentimentos, pensamentos... momentos. Todos juntos, numa desordem sem limite. Seguimos na lentidão dos dias. Dias que pesam, que se arrastam, que sucedem a outros e mais outros e tantos outros. Diferentes e ao mesmo tempo tão iguais. Iguais não em si, mas em nós. Mas bem que poderíamos em dias como esses nos permitir a não apenas ouvir, mas sentir a melodia, a não ouvir somente o som da voz, mas o que ela tem a nos dizer, aprender a compreender o som do silêncio, a olhar a beleza que se esconde na superficialidade das coisas, ir além, ver o que ninguém se arriscou a vasculhar. Aprender a organizar o universo que há em nós, nos permitindo sentir, pensar, viver uma coisa de cada vez afinal, somos apenas um, embora haja tantos outros dentro de nós. Poderíamos aprender a viver juntos com os dias que se seguem, desfrutando-os um a um, relembrando, talvez, o dia anterior, mas não esquecendo jamais de viver o dia de hoje, o de amanhã e o seguinte. Cada um no seu momento, na sua hora. Talvez assim pudéssemos sentir os dias em seu percurso normal, nem tão lento nem tão veloz, mas na medida exata para vivê-los intensamente, quem sabe.
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