Flowers...


Por vezes presenteei pessoas com flores. Das mais variadas. Para cada pessoa escolhia uma flor em especial. Tinha o cuidado de descobrir as preferências quanto a cheiro, cor que agradava àquele ser a qual eu me dispunha a presentear. Bom, confesso que nem sempre fui feliz em minhas escolhas. É que às vezes eu me precipitava um pouco e esquecia de perguntar se a pessoa gostava de flores. Algumas não gostam. É. Eu não sabia. Então aquela flor a qual eu passei horas ou dias escolhendo, selecionando as com os melhores perfumes, com as cores mais vivas, com a mais singular beleza ficava em um canto da casa, no máximo colocada em um vaso com um pouco d’água. Esquecida. Pouco a pouco, por falta de cuidado, elas morriam. Sim, sei, não queria que elas durassem para sempre. Entendo que elas morreriam um dia. Não queria também que as pessoas as quais eu presenteei sacrificassem o olfato, a visão e o tempo para cuidá-las. Sim, para alguns isso seria torturante: cuidar de algo que não lhes agrada. Queria apenas não querer. Não querer agradar tanto, me doar sem limites. Queria ter limites. Mas não tenho. Não consigo amar pouco, me doar pela metade, não sei ser metade. Não gosto de metades. E por isso ainda continuo com a minha mania incontrolável de colorir e perfumar o espaço de alguém com flores, por mais que elas fiquei lá, em algum canto, até murcharem e morrerem. Mas quem sabe um dia por algum motivo alguém goste de recebê-las, que queira cuidar delas e que sinta o prazer em tê-las em um espaço especial da casa com o mesmo carinho e afeição que as escolhi: as pessoas, as flores.
 
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