Welcome 2011!

Ele está chegando... Assim, de mansinho, silencioso, misterioso. Como tudo o que é novo, que se desconhece, que apenas se imagina como deve ser. E nós o esperamos, tão esperançosos, tão cheios de planos, sonhos, sorrisos sem muitos motivos. Desejos incontidos. Não sabemos ainda quais as suas cores, os seus cheiros, seus sabores. E mesmo assim o vemos tão colorido, tão perfumado, tão doce... Porque é assim que o queremos. E esperamos que assim ele seja. Um ano novo multicor, com cheiro se flor que desabrocha, com brilho de sol quando nasce, com magia de criança que ri. Simples assim. Como tudo o que é simples, mas que guarda um tesouro em si.

Feliz Ano Novo!

Deve haver...

Deve haver em algum lugar um pôr do sol diferente de tantos outros que costumamos apreciar ao fim da tarde. Um mar com ondas clarinhas esperando que banhemos os nossos pés. Ou quem sabe uma árvore a nos reservar a sua sombra, os seus frutos... Deve haver. Deve haver uma grama verdinha às margens de algum lago, uma ponte ou um barco. E flores, dos mais variados perfumes. Ou talvez cachoeiras para que nos banhemos em suas águas. Deve haver, e sei que há, muito a nos esperar. E quanto a mim, digo que pretendo encontrá-las. E sei também que de alguma forma as encontrarei, afinal elas não estão lá por acaso. Claro que não!

Dias (des)iguais

Os dias passam lentamente... quase parando. A melodia torna-se fastidiosa, o som da voz irritante, o silencio ensurdecedor. A beleza parece se desfazer a cada novo olhar; torna-se cansativa junto com os dias. Fechar os olhos parece abrir-se para um universo desorganizado dentro de nós. Universo que com a lentidão dos dias foi-se acumulando, sobrepondo sentimentos, pensamentos... momentos. Todos juntos, numa desordem sem limite. Seguimos na lentidão dos dias. Dias que pesam, que se arrastam, que sucedem a outros e mais outros e tantos outros. Diferentes e ao mesmo tempo tão iguais. Iguais não em si, mas em nós. Mas bem que poderíamos em dias como esses nos permitir a não apenas ouvir, mas sentir a melodia, a não ouvir somente o som da voz, mas o que ela tem a nos dizer, aprender a compreender o som do silêncio, a olhar a beleza que se esconde na superficialidade das coisas, ir além, ver o que ninguém se arriscou a vasculhar. Aprender a organizar o universo que há em nós, nos permitindo sentir, pensar, viver uma coisa de cada vez afinal, somos apenas um, embora haja tantos outros dentro de nós. Poderíamos aprender a viver juntos com os dias que se seguem, desfrutando-os um a um, relembrando, talvez, o dia anterior, mas não esquecendo jamais de viver o dia de hoje, o de amanhã e o seguinte. Cada um no seu momento, na sua hora. Talvez assim pudéssemos sentir os dias em seu percurso normal, nem tão lento nem tão veloz, mas na medida exata para vivê-los intensamente, quem sabe.

Aos que colorem os meus dias


Como é bom saber que neste universo cada dia mais cinza ainda existem pessoas que conseguem guardar um pouquinho de cor dentro de si. E o melhor de tudo é saber que elas não temem perder esse colorido, ao contrário, elas fazem questão de compartilhar, de colorir o outro, de dar-lhes vida, cor, amor.  E a cada pincelada de carinho parece que as cores se multiplicam, para si, para nós. Ah! Como é bom saber que essas pessoas existem. Saber que elas não deixaram o cinza ocultar-lhe o colorido, e, principalmente, que esse colorido pode nos alcançar.

E por isso... Abraço.


Mas às vezes as palavras fogem...
Elas sabem que não conseguem alcançar tamanho sentimento.

Alguns são inatingíveis.

Então, por alguns momentos, elas dão lugar ao calor dos braços, dos afagos

Do abraço.

E o sentimos... com tanta emoção que palavra nenhuma seria capaz de transmitir.

Tecidos particulares


E do quarto fez-se o abrigo. Do papel, o amigo. O som da voz dá lugar ao silêncio das mãos, dos olhos, das letras unidas compondo palavras, linhas, parágrafos. Entrelinhas. Aos poucos se revela o segredo, o medo, o desejo... O papel veste-se de nossos mais preciosos tecidos, os mais puros ou quem sabe os mais proibidos. A caneta, o seu alfaiate. Cúmplice da nossa nudez. Uma nudez que não constrange, que não nos impõe limite, que não ofende. Despimo-nos porque este tecido que nos envolve nos sufoca, nos aperta, incomoda. Despimo-nos porque queremos nos sentir leves. Vestimos o papel em branco com os nossos tecidos tingidos em várias cores porque encontramos nele a medida exata, o molde perfeito para caber tudo o que nele queiramos pôr. Porque nem todos os tecidos encaixam-se perfeitamente em todos os modelos. Há tecidos belos demais para a imperfeição humana. Há também tecidos rudes demais para delicados corpos. E, por isso, se mantêm apenas entre nós, no silêncio de um quarto, com a cumplicidade de uma caneta e a simplicidade de um papel.

Um olhar a mais




E era em dias como esse, em que o sol recolhe-se lentamente e o céu esconde o seu tom azul clarinho por entre as nuvens agora cinza que vai deixando cair de si gotículas de água fria, que ela debruçava-se na janela... Olhava calmamente as ruas que aos poucos se vestia da chuva fina e incessante. Olhava ainda o casal que corria sorridente e apaixonado por aquelas ruas. E embora olhasse tudo aquilo, o seu olhar era atravessado por cenas um pouco longínquas. Momentos em que em dias como esse ela não observava, mas talvez fosse observada; que corria nessas ruas e o sorriso despontava de tanta felicidade; momentos em que as suas mãos viam-se unidas a outras e em que ela não via um casal apaixonado, mas era uma parte desse casal. E ver tudo aquilo, rever-se naquelas cenas a fazia sorrir. Era um sorriso leve e contido. Um sorriso que parecia vir acompanhado de todas aquelas lembranças, tornando-se assim espontâneo e mágico. Eram os seus últimos dias de vida. Mas rever tudo aquilo, todos os outros dias os quais fizeram parte de sua vida, a fez perceber que foram as coisas mais simples: o cair da chuva, o caminhar pelas ruas, os sorrisos espontâneos, as mãos unidas a outras que a fizeram realmente feliz. E que foram esses momentos, os mais simples, que a fez compreender o que realmente é mais importante nessa vida.

Suportando tempestades...


As coisas aparentemente estão em seus devidos lugares. Tudo em perfeita harmonia. Tudo em um perfeito encaixe. Até vir uma tempestade ou um vento mais forte que o habitual. Umas tomam o lugar das outras, os espaços vazios são demasiadamente preenchidos, o quadro da parede cai, a mobília quebra. Talvez essa seja apenas uma das muitas tempestades que virão. Nem sempre é dia de sol. É preciso saber enfrentar os dias quentes e os de chuvas incessantes e ventos fortes. E o que acompanha a correnteza e a ventania desses dias, o que se desfaz, o que se quebra é o que foi construído para ser efêmero. Porque somente as coisas construídas com base verdadeiramente sólidas, suportam ventanias, tempestades e até furacões. E elas, elas serão eternas, enfrentando sol intenso e chuvas incessantes.

"...depois de todas as tempestades e naufrágios o que fica de mim e em mim é cada vez mais essencial e verdadeiro" (Caio F.)

A magia das rosas


E ainda assim quero colher rosas
Mesmo que os espinhos queiram afastá-las de mim...
E quero também sentir o perfume que elas exalam
Mesmo que o vento o queira só para ele...
Quero cercar-me de todas elas
Mesmo que tentem me impedir
Ainda assim, eu quero
E vou...

Joyce Kelly

 
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