E por isso... Abraço.


Mas às vezes as palavras fogem...
Elas sabem que não conseguem alcançar tamanho sentimento.

Alguns são inatingíveis.

Então, por alguns momentos, elas dão lugar ao calor dos braços, dos afagos

Do abraço.

E o sentimos... com tanta emoção que palavra nenhuma seria capaz de transmitir.

Tecidos particulares


E do quarto fez-se o abrigo. Do papel, o amigo. O som da voz dá lugar ao silêncio das mãos, dos olhos, das letras unidas compondo palavras, linhas, parágrafos. Entrelinhas. Aos poucos se revela o segredo, o medo, o desejo... O papel veste-se de nossos mais preciosos tecidos, os mais puros ou quem sabe os mais proibidos. A caneta, o seu alfaiate. Cúmplice da nossa nudez. Uma nudez que não constrange, que não nos impõe limite, que não ofende. Despimo-nos porque este tecido que nos envolve nos sufoca, nos aperta, incomoda. Despimo-nos porque queremos nos sentir leves. Vestimos o papel em branco com os nossos tecidos tingidos em várias cores porque encontramos nele a medida exata, o molde perfeito para caber tudo o que nele queiramos pôr. Porque nem todos os tecidos encaixam-se perfeitamente em todos os modelos. Há tecidos belos demais para a imperfeição humana. Há também tecidos rudes demais para delicados corpos. E, por isso, se mantêm apenas entre nós, no silêncio de um quarto, com a cumplicidade de uma caneta e a simplicidade de um papel.

Um olhar a mais




E era em dias como esse, em que o sol recolhe-se lentamente e o céu esconde o seu tom azul clarinho por entre as nuvens agora cinza que vai deixando cair de si gotículas de água fria, que ela debruçava-se na janela... Olhava calmamente as ruas que aos poucos se vestia da chuva fina e incessante. Olhava ainda o casal que corria sorridente e apaixonado por aquelas ruas. E embora olhasse tudo aquilo, o seu olhar era atravessado por cenas um pouco longínquas. Momentos em que em dias como esse ela não observava, mas talvez fosse observada; que corria nessas ruas e o sorriso despontava de tanta felicidade; momentos em que as suas mãos viam-se unidas a outras e em que ela não via um casal apaixonado, mas era uma parte desse casal. E ver tudo aquilo, rever-se naquelas cenas a fazia sorrir. Era um sorriso leve e contido. Um sorriso que parecia vir acompanhado de todas aquelas lembranças, tornando-se assim espontâneo e mágico. Eram os seus últimos dias de vida. Mas rever tudo aquilo, todos os outros dias os quais fizeram parte de sua vida, a fez perceber que foram as coisas mais simples: o cair da chuva, o caminhar pelas ruas, os sorrisos espontâneos, as mãos unidas a outras que a fizeram realmente feliz. E que foram esses momentos, os mais simples, que a fez compreender o que realmente é mais importante nessa vida.
 
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