Efemeridade


E daqui, deste banco, vejo tudo passar... Algumas coisas, pessoas, passam por mim devagar. Chegam até a parar. Param por um momento, mas logo depois continuam a caminhar. E junto com elas passa também o tempo. Ao contrário delas, ele não para. Ele segue... tornando tudo o que vejo efêmero e digno de apreciar cada detalhe, porque eles são únicos e também passarão. E esse vento frio que passa levando consigo as folhas desta árvore, as quais darão lugar a folhas novas, me faz perceber que o que estou vivendo hoje também seguirá. O que estou vivendo de bom e o que chega a me magoar. Preciso apreciar esse vento, esse momento. Não importa se a chuva vier para atrapalhar, ela também passará. E as pessoas, o tempo, o vento, as folhas, a chuva, esse momento... em seu simples caminhar vieram me ensinar que eu preciso viver o hoje, porque ele... Ele também irá passar.

"Não faças da tua vida um rascunho. Poderás não ter tempo de passá-la a limpo."
(Mário Quintana)

Ausência de si mesmo


Porque você insiste em ter uma presença que é tão ausente? O que a faz querer? O que ela tem de tão especial se a você ela nada dá? A saudade do que você nunca teve. O carinho dado que nunca foi recíproco. E porque, mesmo assim, você insiste em tê-la? Você se preocupa tanto em se doar que nem percebe o tão pouco que recebe. Algo te fecha os olhos e tudo parece imperceptível. Você não consegue enxergar nada além do seu desejo. E, na verdade, você está apenas buscando no outro o que você nunca buscou em você mesmo. E é essa falta de você, EM você, que te torna tão dependente de algo, que no fundo, nem supri o que tanto te falta. Você pode dizer que é amor; mas amor é dependência? Essa segurança que você busca no outro, você tem em si? É preciso, mesmo tomados pela paixão, saber enxergar com os olhos da realidade a quem estamos depositando os nossos sonhos e as nossas expectativas, porque nem sempre elas serão correspondidas e, no final, não adianta você querer culpar o outro porque o único responsável pela sua vida é você mesmo.

...Enquanto não atravessarmos
a dor de nossa própria solidão,
continuaremos
a nos buscar em outras metades.
Para viver a dois, antes, é
necessário ser um.

(Fernando Pessoa)


Vasta solidão




Por favor...
Não me peça para sorrir
Meu sorriso é vago e sem graça.
Não me peça para falar o que eu sinto
Não faria nenhuma diferença agora.
Não me peça para admirar a sua gentileza
Ela logo passará e eu continuarei sendo o mesmo.
Não me peça para agradecer
Minhas palavras são poucas e não fazem sentido.
Não me peça para quebrar o meu silêncio
Ele é parte de mim.
Não me peça para limpar a sujeira de minha face
Pois ela já sujou todo o meu corpo.
Não me peça para falar o meu nome
Porque de tão pouco pronunciado...
Eu já o esqueci.


Joyce Kelly

 
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