Para além das superfícies


Por quanto tempo mais andarás a procura de um amor nessas vitrines da vida? Assim, como se este tivesse uma cor, um peso ideal, uma altura adequada, um manual de instrução. Quanto tempo ainda levarás para aceitar que nem sempre a pessoa que te diz o que esperas ouvir, que repete mais de dez vezes por dia que te ama é realmente a que mais te ama? Aceitar que muitas vezes o amor silencia por não caber nas tão insuficientes palavras. Que ele fala mais alto quando nada fala. E que grita no calor do abraço apertado e do afago que se desperta em um simples olhar. E o mais importante, entender que ele pode vir de onde você menos espera, em um dia qualquer e de um jeito que você jamais imaginou. O amor tem isso de nos surpreender, de escancarar portas quando esperávamos apenas janelas abertas, por ir além do que nossa pequenez pode alcançar.
Nem sempre o amor chega em um dia de sol, quando você está com a sua melhor roupa, seu melhor sapato e esperando que ele chegue. Ele pode vir em uma tarde de chuva, depois de um longo dia de trabalho enquanto corres para pegar um taxi ou esperas a chuva passar em um ponto qualquer. E aí você descobre que não importa a cor, a altura, a idade ou o peso, porque o amor vai além de tudo isso. Você descobre que mesmo com todas as diferenças que possa existir entre você e o outro, o amor os torna em um só e que não há manual de instrução ou de comportamento para se entender e se prender o amor. A amor não se busca, não se prende, simplesmente acontece, sem dia, lugar nem hora marcada.
Não procures um amor. Deixe que ele te encontre. E ele te encontra. Não faça do amor algo previsível, que se encontra em uma loja qualquer com um tamanho e uma cor exata. Permita-se aceitá-lo como ele é, com todos os aparentes defeitos e qualidades sem deixar que nada disso seja maior que a verdadeira beleza que há no verdadeiro amor. Verdadeiro por calar, por ir além das superfícies, por se permitir navegar na grandeza interior que há em cada um de nós, por ir além de um simples “eu te amo”. E que ames, cada vez mais...

7 comentários:

Angelus disse...

Sabe, atualmente tenho estado em conflito comigo mesmo devido esse dilema de "encontrar o amor". Fico me perguntando se devo procurar em todo lugar ou simplesmente esperar que ele venha.
Depois de ler o seu texto acho que entendi finalmente...

Muito obrigado. O blog é muito bonito.

kirah disse...

bem dito!

bjus da kirah^^

RosanAzul disse...

Olá minha querida Joyce!! Como vai minha amiguinha querida??!!
Não resisti e vou deixar aqui pra ti um escrito que gosto muito do Gibran sobre o amor ok!?
Uma semana abençoada e feliz minha querida!
Beijos, Ro

"
'Quando o amor vos chamar, segui-o,
Embora seus caminhos sejam agrestes e escarpados;
E quando ele vos envolver com suas asas, cedei-lhe,
Embora a espada oculta na sua plumagem possa ferir-vos;
E quando ele vos falar, acreditai nele,
Embora sua voz possa despedaçar vossos sonhos como
o vento devasta o jardim.

Pois, da mesma forma que o amor vos coroa, assim
ele vos crucifica. E da mesma forma que contribui para
vosso crescimento, trabalha para vossa poda.
E da mesma forma que alcança vossa altura e acaricia
vossos ramos mais tenros que se embalam ao sol,
Assim também desce até vossas raízes e as sacode no
seu apego à terra.
Como feixes de trigo, ele vos aperta junto ao seu coração.
Ele vos debulha para expor vossa nudez.
Ele vos peneira para libertar-vos das palhas.
Ele vos mói até a extrema brancura.
Ele vos amassa até que vos torneis maleáveis.
Então, ele vos leva ao fogo sagrado e vos transforma
no pão místico do banquete divino.
Todas essas coisas, o amor operará em vós para que
conheçais os segredos de vossos corações e, com esse
conhecimento, vos convertais no pão místico do banquete divino.

Todavia, se no vosso temor, procurardes somente a
paz do amor e o gozo do amor,
Então seria melhor para vós que cobrísseis vossa nudez
e abandonásseis a eira do amor,
Para entrar num mundo sem estações, onde rireis, mas
não todos os vossos risos, e chorareis, mas não todas as
vossas lágrimas.
O amor nada dá senão de si próprio e nada recebe
senão de si próprio.
O amor não possui, nem se deixa possuir.

Pois o amor basta-se a si mesmo.
Quando um de vós ama, que não diga: 'Deus está no
meu coração', mas que diga antes: 'Eu estou no coração de Deus.'
E não imagineis que possais dirigir o curso do amor
pois o amor, se vos achar dignos, determinará ele próprio
o vosso curso.
O amor não tem outro desejo senão o de atingir
a sua plenitude.
Se, contudo, amardes e precisardes ter desejos, sejam
estes os vossos desejos:
De vos diluirdes no amor e serdes como um riacho
que canta sua melodia para a noite;
De conhecerdes a dor de sentir ternura demasiada;
De ficardes feridos por vossa própria compreensão do amor
E de sangrardes de boa vontade e com alegria;
De acordardes na aurora com o coração alado e agradecerdes por um novo dia de amor;
De descansardes ao meio-dia e meditardes sobre o
êxtase do amor;
De voltardes para casa à noite com gratidão;
E de adormecerdes com uma prece no coração para o
bem-amado, e nos lábios uma canção de bem-aventurança.
Gibran Khalil

Bersebah disse...

Oi Joyce!

É minha querida, neste texto você me pegou na veia.
O que acontece...é que...depois de um determinado tempo na estrada, não tendo bons relacionamentos, encontrei alguem...que parece diferente de tudo o que já encontrei.

Nisso sinto que eu que nunca compreendi o amor, ou talvez nunca o tenha sentindo verdadeiramente, mas sabia o que significava para mim, o que eu queria que fosse.

Assim, sinto me bem em estar perto simplesmente, de conversar com alguem, que apesar de não estar retribuindo com vontade meu sentimento, também demonstra estar bem perto de mim.
É uma incognita se ela me deseja como homem, ou se depois de um curto caso que tivemos, ela passou a me ver apenas como amigo.Por falta de tempo não conseguimos nos encontrar para conversar, só nos falando no serviço(trabalhamos juntos), onde é complicado conversar perto das pessoas.

Mas eu compreendi nisso tudo algo que valeu para mim, e tem sido o que tem me mantido bem, e satisfeito comigo mesmo.

Minha verdade é que tenho que me bastar, que me amar, me sentir, e compartilhar com alguem um sentimento de amor, que soma, e não divide, não suga.
Acredito que se formos capazes disso, iremos poder desfrutar do melhor do amor, o mais forte, e verdadeiro, sem apegos, sem achar que tudo é um conto de fadas. E tambem seremos capazes de amar sem esperar que o outro sempre nos compreenda, nos tenha como desejarmos, e mais que tudo, saberemos deixar partir, sem sofrer.

Não é tão fácil como em teoria, mas, tenho conseguido manter isso, não me aprofundando em um desejo, um pensamento, um anseio, de viver algo utopico.

Poderia escrever um pouco mais sobre isso, mais, acredito que baste, o mais importante é que estou bem.

Minha querida eu agradeço bastante por suas palavras, no quiz diz respeito ao conteudo de meu espaço.
Procuro sempre colocar sentimento em tudo que coloco ali, e é bom perceber que alguem consegue compreender, absorver esse sentimento.

Posso dizer que seu espaço tambem me traz a mesma sensação, de sutileza, sentimento, e profundidade que demonstra encontrar em meu blog.

Sobre o lugar que coloqueis as fotos, ele fica em Cavalcante - GO, perto de onde meus pais moram(são de Alto Paraiso de Goias - GO). Vale a pena visitar.

Ademais moça, fica um forte abraço para você também, e quando puder, ficarei bem contente com sua visita.

Até breve.

Que Deus te ilumine sempre.

Wendel aka Bersebah

Malu disse...

Linda página e cheio de sensibilidade e carinho.
Muito lindo!!!!
Vou seguir para poder acompanhar suas atualizações.
Abraços

A.S. disse...

Joyce,

O amor é a mais sublime forma de liberdade!!!

Beijos,
AL

Vi Di Lauro disse...

Simplesmente lindo..

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