
Os dias passam lentamente... quase parando. A melodia torna-se fastidiosa, o som da voz irritante, o silencio ensurdecedor. A beleza parece se desfazer a cada novo olhar; torna-se cansativa junto com os dias. Fechar os olhos parece abrir-se para um universo desorganizado dentro de nós. Universo que com a lentidão dos dias foi-se acumulando, sobrepondo sentimentos, pensamentos... momentos. Todos juntos, numa desordem sem limite. Seguimos na lentidão dos dias. Dias que pesam, que se arrastam, que sucedem a outros e mais outros e tantos outros. Diferentes e ao mesmo tempo tão iguais. Iguais não em si, mas em nós. Mas bem que poderíamos em dias como esses nos permitir a não apenas ouvir, mas sentir a melodia, a não ouvir somente o som da voz, mas o que ela tem a nos dizer, aprender a compreender o som do silêncio, a olhar a beleza que se esconde na superficialidade das coisas, ir além, ver o que ninguém se arriscou a vasculhar. Aprender a organizar o universo que há em nós, nos permitindo sentir, pensar, viver uma coisa de cada vez afinal, somos apenas um, embora haja tantos outros dentro de nós. Poderíamos aprender a viver juntos com os dias que se seguem, desfrutando-os um a um, relembrando, talvez, o dia anterior, mas não esquecendo jamais de viver o dia de hoje, o de amanhã e o seguinte. Cada um no seu momento, na sua hora. Talvez assim pudéssemos sentir os dias em seu percurso normal, nem tão lento nem tão veloz, mas na medida exata para vivê-los intensamente, quem sabe.