29 de maio de 2010

Espelhos da alma


Dizem que os olhos são os espelhos da alma. E isso não me parece ser o avesso. São espelhos que refletem luzes quando estamos felizes. São opacos quando a tristeza nos consome. São inundados quando lavados pela água do nosso ser. Sejam águas de alegria ou de dor, dor física ou dor da alma. Aos que falta a voz, restam-lhe o olhar; olhar que por si já nos comove, nos abranda, nos ilumina. Mas há momentos em que esse olhar nos amedronta, nos aflige... É o momento em que a alma está enfurecida; mas nenhuma palavra dita será o suficiente, então lhe resta apenas o olhar para “gritar” todo o seu descontentamento. Tentar cobri-los, tentar ofuscá-los é só uma forma de não mostrar ao outro o que realmente sentes. Mas jamais conseguirá esconder de você mesmo. Ele se fecha para o mundo, mas estará sempre aberto para o seu eu. E dele você não tem como esconder.

"Quem não compreende um olhar,
tampouco compreenderá uma longa explicação."
(Mário Quintana)


18 de maio de 2010

A embalagem ou o conteúdo?


A beleza física está cada vez mais suprimindo a beleza do caráter e da humildade. Parece que não importa muito se você é educada, se é uma pessoa de adorável companhia se você não estiver inserida nos padrões estabelecidos pela ditadura da beleza. É como se o fato de você não seguir a essas “regras” anulasse tudo o que você tem de melhor. Você precisa ser bonita, seguir as tendências da moda... É, parece que isso é o suficiente para alguns. Mas o que é ser bonita? É ser macérrima, alta, ser uma Giselle, ou ser quem você é, aceitar a sua beleza e saber valorizá-la? Mas, infelizmente, algumas pessoas estão tomadas pela ideia da perfeição- que em minha opinião não existe- e fazem de tudo para alcançá-la. Não se aceitam como verdadeiramente são. E essa busca incessante pela beleza padronizada cresce cada vez mais, porque não importa quem você é, como você pensa, como você se comporta, se você não seguir a essas regras que são impostas. Não generalizando, claro, mas isso ocorre em muitos setores profissionais, sociais, e de relacionamentos. Se você não corresponde fisicamente ao que é solicitado, pouco importa o que você tem como atributos pessoais. Não que você não tenha que cuidar da sua aparência e buscar recursos para melhorá-la; mas será que beleza é TUDO? Será que a aparência física diz realmente quem você é? Saibamos apreciar a embalagem, mas não esqueçamos que o mais importante é o conteúdo.

"Quem tem bastante no seu interior, pouco precisa de fora."
(Johan Goethe)

9 de maio de 2010

Fragmento de uma vida


Voz serena
Corpo frágil
Olhar distante.
A tua pele não é mais a mesma
Tuas mãos não tocam com a mesma firmeza.
Sorriso vago e contido
Lembranças quase perdidas
Traços da vida estampados em sua face.
Tuas palavras são poucas
São simples
São vestígios de uma vida que não volta mais
É certeza de até onde podemos chegar.
É um coração batendo lentamente
Mas é sinal de que ali
Existe Vida


Joyce Kelly

30 de abril de 2010

A boca fala que sim, mas...


Às vezes, mesmo que relutemos em não querer lembrar algo, não conseguimos esquecer. Fica tão claro, tão latente em nossa mente, que parece que acabou de acontecer, quando na verdade já aconteceu faz muito tempo. Será que queremos esquecer mesmo? Será que estamos, de fato, lutando contra a nossa memória? Tentando não obedecê-la? Não. Foi algo intenso... Talvez uma intensidade que nos fez bem, e que por isso não conseguimos esquecer. Ficou ali, feito uma cicatriz. Podemos, por um momento, esquecer que ela está em nosso corpo, mas ela continua lá, ela não se apaga. Essa cicatriz pode ser resultado de um momento de aventura, que queríamos aproveitar e esquecer os riscos e acabamos “caindo”, se machucando, e lá está ela em nosso corpo, em nossa mente. Mas vivemos aquele momento e ele não sai de nosso pensamento, ele continua lá. Queremos remover a cicatriz, apagá-la... mas ela não sai, porque no fundo foi bom. Não foi boa a dor, a queda, foi boa a aventura, o que vivemos antes de ter caído. Talvez seja por isso que não consigamos esquecer. Na verdade, não é que não conseguimos, é que não queremos mesmo. A boca fala que sim, mas o coração nos mostra o contrário.

"Lembrar é fácil para quem tem memória. Esquecer é difícil para quem tem coração." (William Shakespeare)


21 de abril de 2010

Convivendo com a saudade


É inevitável não sentirmos saudade de algo ou alguém que foi bom ou que nos fez bem e que já não se encontra mais conosco. Claro! Acredito que ninguém sinta falta de algo que foi ruim. São vários os motivos que contribuem para que esse sentimento faça parte de nossa vida. Uma viagem, uma discussão, uma perda, desencontros que separam você de quem você tanto ama. Às vezes é uma saudade momentânea, onde temos a certeza de que em breve cessará. Outras já não nos permitem essa certeza positiva, pois temos a convicção de que não teremos ou não veremos mais o que foi tão importante para nós. O que fazer nesses momentos? Como aprender a conviver com esse sentimento? Se um cheiro, uma palavra pronunciada por alguém, uma foto, uma escrita em uma folha de papel nos faz lembrar essa pessoa e nos faz sentir um aperto no peito só em pensar que não a veremos nunca mais. Às vezes estamos tão próximos das pessoas que amamos, que nos damos bem e não sabemos aproveitar intensamente esses momentos. Porém, chega um dia em que iremos nos separar por algum motivo. E é nesse momento que percebemos o quanto amamos aquela pessoa, o quanto ela era importante para nós. É por esse motivo que a saudade começa a fazer parte da nossa vida. Porque alguém que amamos não está mais conosco, talvez ela nem volte e irá nos restar apenas a lembrança dos bons momentos que passamos juntos.

Saudade é solidão acompanhada,
é quando o amor ainda não foi embora,
mas o amado já... (Pablo Neruda)