8 de setembro de 2010

Metamorfose


O vento, em seu menor sopro, despe as árvores
Mas o homem, em sua ignorância, as arranca
O pássaro, em sua delicadeza, constrói o ninho
Mas o homem, sem pudor, o destrói
As flores, em suas belas cores, colorem os jardins
Mas o homem, em sua cegueira, ainda prefere o cinza
O verde, não é mais verde
Deu lugar ao colorido dos outdoors, dos prédios, dos shoppings...
Para se obter o amarelo é preciso lavar-se de vermelho
O nosso céu agora é cinza
O branco é utopia
As cores são substituídas, as posições invertidas
Como classificar os verdadeiros seres desta vida?

Joyce Kelly

4 de setembro de 2010

"Meu herói"


A fragilidade estampada em seu rosto, a inocência, a pureza, talvez não revele a tristeza que há em seu coraçãozinho. O machucado em sua pele, a mancha roxa em seu corpo não é mais resultado de uma queda, de um tombo que levou aprendendo a pedalar uma bicicleta ou até mesmo aprendendo a caminhar. Os momentos de sonhos estão se tornando pesadelo. A espera está sendo angustiante. Quem entrará por aquela porta, o seu pai ou aquele que está te roubando a pureza? E cada novo dia, cada novo momento, cada nova espera, parece desprender de si o amor, a paz e a alegria de viver. Como será o futuro desta criança? Quem lhe devolverá o sorriso, o gosto pela vida? Quem ela chamará de “meu herói?”
Infelizmente não é apenas uma ou duas ou dez crianças que são maltratadas ou abusadas sexualmente. São milhares, no Brasil e no mundo. E, em muitos casos, é naquele ao qual elas buscam o carinho e a proteção que elas encontram um monstro disfarçado de “pai”.

Só é possível ensinar uma criança a amar, amando-a. (Johann Goethe)

29 de agosto de 2010

Sobre Voar...




E em seu magistral voo,
Posou junto a mim.
Pareceu-me tão fácil.
E talvez seja...
Não voam apenas os que têm asas.
É tudo uma questão de sentir.

Joyce Kelly

27 de agosto de 2010

Entre a ESPERAnça e os risos fúteis... A decisão.



Pés descalços, pernas cansadas acompanhando o cansaço da sua alma, olhar que vagueia buscando ser preenchido por algo naquela imensidão do nada. Mãos vazias, braços frios, corpo entregue à espera do incerto. E perdidos em ser, sentir ou estar, parece ainda haver esperança. Esperança de pés calçados, pernas e alma aliviadas, olhar repleto de algo. Mãos preenchidas, corpo que acolha e possa ser acolhido. E enquanto alguns se deleitam do preenchimento demasiado do seu corpo e da sua alma, se vangloriando com o nível do seu sucesso, eles ainda esperam alcançar o primeiro degrau. Em alguns momentos chegam alguns para mostrar-lhes esse degrau, chegam para alimentar a esperança que às vezes parece se perder junto com eles naquela imensidão vazia, mas estes que os alimentam são os mesmos que logo os deixam faminto, porque esse alimento em forma de esperança dura apenas alguns meses, dura o suficiente para que em troca dessa esperança de algo melhor o outro possa usá-la para alcançar, não o primeiro degrau, mas o topo. Talvez nós não possamos fazer nada para alimentá-los, talvez não possamos acolhê-los, mas certamente podemos fazer o bom uso de nossa consciência e da nossa razão para escolher quem deverá estar nesse topo. Talvez ele ou ela como tantos outros não façam nada, mas pelo menos não seremos uns dos responsáveis em tirar a esperança de algo melhor para essas famílias, para o país, em troca de coisas fúteis e cenas cômicas em frente à tevê. A escolha é sua!

"De qualquer tipo que seja a pobreza, ela não é a causa da imoralidade, mas o efeito. "(Thomas Carlyle)